Como torcer sem cair no marketing de emboscada
A Copa do Mundo se aproxima e o desejo de qualquer empresa é "vestir a camisa". Mas, para quem não é patrocinador oficial, existe uma linha tênue entre aproveitar o clima e cometer uma infração jurídica. É o que chamamos de Marketing de Emboscada.
A FIFA protege rigorosamente suas marcas. Termos como "Copa do Mundo", "Copa 2026", o uso de logotipos oficiais, fontes proprietárias e até o mascote são ativos blindados. Para uma PME, o risco não é apenas uma notificação extrajudicial, mas o impacto na reputação de tentar "pegar carona" de forma amadora.
Como entrar na conversa mantendo a segurança e a ética da marca? Separei três reflexões essenciais para o seu planejamento:
1. O segredo está no "futebol", não na "entidade" A FIFA não é dona do futebol, nem das cores da nossa bandeira. O marketing de emboscada acontece quando há uma tentativa deliberada de fazer o consumidor acreditar que aquela marca é um patrocinador oficial.
A estratégia: Em vez de usar nomes oficiais, use o contexto. Termos como "Torcida", "O grande evento de junho", "Paixão pelo futebol" e "Rumo à vitória" são genéricos, seguros e conectam da mesma forma com o público.
2. Fuja dos símbolos protegidos Muitas empresas pecam nos detalhes: usar a fonte oficial do evento em uma arte de rede social ou colocar o logo da seleção ao lado do logo da empresa. Isso é associação indesejada.
O caminho: Use ativos proprietários da sua empresa para criar a estética. Misture o seu tom de voz com elementos visuais que remetam ao esporte (gramado, rede, o apito), mas sem copiar a identidade visual da Copa. A criatividade aqui é sua maior aliada para gerar identificação sem precisar de "clones" visuais.
3. O foco na experiência real O consumidor brasileiro está mais atento e busca marcas que facilitem a sua vivência do evento.
A oportunidade: Em vez de focar no nome do torneio, foque no comportamento do seu cliente. Se você oferece um benefício real para quem vai assistir ao jogo, como um combo de entrega rápida ou um suporte técnico que não para durante a partida, o seu valor está na utilidade, não no selo oficial de patrocínio.
Reputação se constrói com ética
Participar da conversa da Copa é excelente para a visibilidade, mas fazer isso de forma estratégica exige respeitar os limites do mercado. O "jeitinho" pode custar caro para a imagem de uma empresa que busca ser percebida como profissional e sólida.
O segredo para a PME é ser ‘oportunista’ na mensagem e rigorosa na conduta.
Aline Caio é especialista em comunicação estratégica e reputação de marcas, com 20 anos de experiência. Atua no planejamento e posicionamento de pessoas e empresas, unindo propósito, valores e comunicação para construir marcas fortes, autênticas e de alta reputação. Relações Públicas e Fundadora da PraGente Consultoria em Comunicação.